05 maio 2014

REBECA MATTA

Às vezes Peu virava um leão, mas era puro, não permitia constrangimentos e nem engolia sapos…Por isso em sua música sempre ouvimos a primeira intenção…aquela que vem da alma…

rebecca

A sensação é mesmo de que a vida ficou menos bonita sem Peu. Mas a memória de todas as coisas intensas e alegres que ele fez, será sempre um testemunho de beleza pra gente seguir em frente.

Perdemos um artista único!. Conheci o Peu em 1999, quando comecei a trabalhar para o disco “Garotas…”, e o André T me falou sobre ele. Então assisti a um show da Dois Sapos e Meio, aquela banda que a gente assiste pela primeira vez e nunca mais esquece! Eles tinham tudo, eram jovens e cheios de intensidade! Eram incríveis, todos, mas aquele garoto de 21 anos me chamou muito a atenção. Quando tocava, ele não tinha medo de nada, ele era a própria expressão da música que tocava e era difícil, ao vê-lo tocar, conseguir tirar os olhos ou distrair os ouvidos para outra coisa que não fossem aquele som e aqueles movimentos!

Logo o chamamos para participar do disco, logo ficamos amigos e ali começava uma das mais belas amizades que tive! Ele era pura poesia e amor, mas também era um leão sedento, intenso, obsessivo, que, quando apaixonado por algo, era levado ao extremo. Mergulhava em tudo sem medo e ainda mais quando se tratava de música: era um criador que inventava à sua maneira e tocava os corações de quem estivesse atento e ainda fazia vibrar os corações mais endurecidos… ele virava um deus com uma guitarra na mão…

As coisas que ele fazia não saíam da cabeça, grudavam facilmente, sem nunca serem banais. Melodias, riffs, uma técnica que ele inventava, canções que comunicavam tantas coisas tão rapidamente. Em todas as bandas que tocou foi também parte criadora e deixava sua marca muito forte. Era fácil identificar sua guitarra por onde ela passava…

A última música que fizemos juntos foi também a que deu o nome ao DVD À flor da Pele. Liguei para Peu e falei que tinha uma letra e que pensava muito nele e ele veio um dia aqui em casa pra gente experimentar algo para ela. Ele chegou e pegou o violão e começou a tocar do nada…uma coisa linda assim…e eu perguntei: que música é essa, Peu? E ele disse: Ué, é a nossa…e então a gente olhou a letra gigante e sem métrica e eu pensei: como é que a gente vai colocar essa letra aqui? E então ele começou a cantar e fiquei mais uma vez surpresa com esse dom que ele tinha – a gente não tirou uma só palavra da letra….

Ficamos conversando por um tempo, como sempre fazíamos, mil histórias, ouvíamos muita música, aprendíamos juntos, ríamos muito…ele era tão sedutor, brincalhão, sempre leve; filosofávamos sobre a vida e as relações e tínhamos tanto em comum!… Ele queria mostrar o seu mundo cheio de poesia, cheio de amor por seus filhos, Ananda e Ben, que são tão especiais, e por Monique, a mulher que sempre foi, desde a adolescência, cúmplice, companheira, amiga, amada, com quem dividiu tantas histórias intensas de vida…

 
início

 

ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº4 // Single
  1. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº4 // Single
  2. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº2 // Single
  3. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº1 // Single
  4. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº3 // Single