06 junho 2014

PEU TANAJURA

No palco, eu cantava sempre o admirando. Era algo único. Quantas vezes eu me deparei transcendendo, focado na sua sensibilidade particular de tocar, no seu movimento corporal!?

tanajura e Peu - ok credito

Peuzinho sempre foi além. Um desbravador ensandecido e sua “espada” (a guitarra). Tive a honra de dividir palcos, noites e uma linda troca de aprendizado musical e vida da sua passagem neste plano. Ele não cansava de transferir seu conhecimento. Foi na rua Mococa que o encontrei… Nick estava procurando alguém que cantasse e tocasse violão para um projeto que ela queria montar, e combinou comigo para nos encontrarmos numa quarta de cinzas dessas.

Bato na casa, e quem me recebe com aquela juba black power e samba-canção!? O “bonitão”. Tinha acabado de acordar. Veio com aquele andar de sempre, e de coração aberto. Sentamos embaixo do pé de amora e ali tocamos algumas músicas onde descobrimos um gosto musical recíproco. “Breaking the Girl”, “Enjoy the Silence” e tantas outras. De pronto me convidou para ser o interprete das suas canções no Trëmula. Eu nunca havia cantado ROCK na vida, e foi com o papo firme e pilhado que me convenceu a encarar o desafio. No mesmo dia saí cantando todas as músicas do disco. Nem eu acreditei, mas rolou. Uma semana depois já estávamos fazendo nosso primeiro show. Foi mágico!

Naquela casa que tudo aconteceu… dias e noites repetidas de muita pesquisa, ensaios, estudos, piadas, festinhas e comemorações. Fiquei conhecido como o irmão de “Clash” (o labrador mais sonso, comedor de cabos e amado que conheci). Não foi nada fácil cantar aquelas alturas com precisão e potência, mas Peu me instigava o tempo inteiro. Me dizia: Faça força de cagar!! (rsrsrs) Quando eu achava que já tínhamos chegado no limite, ele ia lá e fazia uma nova composição com um agudo mais “punk”. Eu tinha que me superar a todo momento. Essa escola chamava-se Peu Sousa. No palco, eu cantava sempre o admirando. Era algo único. Quantas vezes eu me deparei transcendendo, focado na sua sensibilidade particular de tocar, no seu movimento corporal!?

Ter tido a oportunidade desse encontro ficará guardado como um troféu.

É bem louco, mas não consigo mais sentir saudade dele. Pode até parecer estranho, mas descobri uma nova forma de encarar a morte. O fato dele não mais estar no corpo físico não anula o contato. Sinto ele tão perto…!! É como se ele estivesse mais próximo ainda. Sei lá, talvez tenha sido a maneira de me conformar. Tenho guardado em mim a memória viva do amor que ele transpirava do seu jeito.

Peu rondará em toda minha existência como um dos caras que mais me ensinou.

Pararia uma vida inteira para contar tantas historias que construímos juntos em tão pouco tempo… esta reservo para avivá-lo todos os dias em meu coração.

PAZ irmãozinho!

 

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ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº4 // Single
  1. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº4 // Single
  2. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº2 // Single
  3. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº3 // Single
  4. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº1 // Single