25 abril 2014

EDGARD SCANDURRA

 

Conheci o Peu em 1997 quando ele tocava com Rebeca Matta num som muito moderno e a sua guitarra se destacava pelos timbres realmente incríveis!

Parecia que aquela banda ia deslanchar, mas a “ficha” da música eletrônica no Brasil levou mais 10 anos pra cair e muitos trabalhos legais ficaram no caminho. Logo depois participei de um encontro de guitarristas em Salvador, onde dividimos o palco, nomes de diversas gerações do instrumento, eu, Armandinho, David Moraes, Arto Lindsay e Peu, como representante da novíssima safra de guitarristas, destacando-se por um envolvimento passional por seus acordes e solos. Nos demos bem desde o início. Por algumas vezes ele se declarou um fã de minha guitarra, o que me deixava muito envaidecido, já que ele tinha tudo pra ser um dos grandes guitarristas brasileiros. E dos raros que não confundiam técnica com velocidade e exibicionismo. Um cara muito apaixonado por suas frases, seus solos, seus timbres e cheio de planos, projetos, sonhos.

Sua guitarra tinha sua assinatura e dava pra reconhecê-lo nas musicas que tocava. Poucos guitarristas conseguem isso.

Fiquei anos sem vê-lo. Só em 2009 fui reencontrá-lo no palco do Criança Esperança, da Rede Globo. Fomos, eu e ele, os poucos músicos tocando de verdade uma versão pré-gravada (meio playback) de “All you need is love”, dos Beatles, num enorme teatro. Foi divertido criarmos na hora um dueto de guitarras para essa música. Honestamente, posso dizer que salvamos a música!

Ele estava na Nove Mil Anjos com o Champignon e o Junior, um trio que prometia, mas algo não deixou o lance ir pra frente.

Peu Sousa e Scandurra

 

Às vezes penso que guitarristas têm uma missão de alegrar, dinamizar, “colorir” e até salvar uma música e não apenas querer marcar terreno com projetos pessoais, o tal do disco solo.
Acho que o Peu cumpria esse papel com maestria. Sua guitarra tinha sua assinatura e dava pra reconhecê-lo nas musicas que tocava. Poucos guitarristas conseguem isso. Às vezes, ficam anos tentando, noutras, conseguem sucesso em bandas pop, mas não era isso que o Peu queria, eu penso. Acho que ele tinha a magia de transcender a música, de inventar solos, de surpreender o público com suas performances. E eu fico muito consternado com o destino que o levou tão cedo.

Que sua obra seja ouvida e estudada, que se descubra o seu talento e seu amor à arte do bem tocar.

Saudades, querido amigo!

Edgard Scandurra

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ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº2 // Single
  1. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº2 // Single
  2. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº4 // Single
  3. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº1 // Single
  4. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº3 // Single