03 maio 2014

CHRIS BERNARDES

Peu era um músico completo que tocava magnificamente e também compunha canções extremamente sensíveis e verdadeiras.

Engraçado, não me lembro o dia exato em que conheci Peu pessoalmente, mas não me esqueço nunca da primeira vez que o vi no palco. Era hipnotizante aquela energia, com notas precisas, timbres únicos que só ele mesmo poderia executar com tanta fluidez e atitude rocker. Não dava para tirar os olhos daquele guitarrista insano e perfeito ao mesmo tempo. Peu era um furacão no palco. E na vida também.

Como que por “osmose” ele se tornou um grande amigo, desses de frequentar a casa um do outro constantemente. E nossos encontros familiares eram sempre uma festa: almoços, jantares, bebidas, conversas intermináveis e música, muita música. Tive o prazer de vê-lo tocar milhares de vezes assim, em casa, como quem não quer nada. E era sempre genial.

 

Para mim Peu era um músico completo que tocava magnificamente e também compunha canções extremamente sensíveis e verdadeiras. Sim, suas músicas eram a sua cara: sonoridade sensual com letras dramáticas e ao mesmo tempo divertidas. E sua mente era de uma criatividade efervescente de tirar o fôlego. Era impressionante a facilidade com que ele compunha. Uma vez ele me disse com um sorriso largo no rosto:

-Muitas vezes a letra de uma música surge na minha cabeça a partir de uma frase interessante.

Pra ele isso era uma coisa simples, natural e espontânea. Pra mim, um talento artístico dos mais maravilhosos do mundo que poucas pessoas realmente o tem.

Eu belo dia, mandei um e-mail pra ele com uma letra que eu gostaria que musicasse. Não imaginava que ele acharia legal e que muito menos daria importância a aquelas palavras. Dois dias depois recebi um e-mail de volta com o uma gravação intitulada por ele de Voilá. O resultado era uma música visceral que trazia toda a intensidade do fundo da alma musical de Peu.

A última vez em que estivemos juntos, aqui na minha casa em São Paulo, ele, em um momento da noite, pegou o violão e tocou vorazmente a tal canção umas cinco vezes seguidas. Voilá! Acho que foi a última vez que o vi tocar assim tão de pertinho.

Pensando em tudo isso, só posso terminar esse texto dirigindo minhas últimas palavras a ele.

-Saudades imensas de você, Sr. Peu! Espero que o mistério da vida seja mesmo o do reencontro. E quando eu chegar ai, receba-me com uma garrafa de vinho e uma guitarra mão, por favor. Beijo e até mais.

 

início

ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº3 // Single
  1. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº3 // Single
  2. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº1 // Single
  3. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº4 // Single
  4. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº2 // Single