28 abril 2014

ANA CAÑAS

era aquele artista nítido movido pelo amor, pelo abismo, pela paixão, pela loucura, pelo subjetivo da arte, pela expressão única e o delírio retumbante que apenas um palco nos oferece, convidando e brindando ao transcendental, ao eterno.

Peu Sousa e Ana Cañas

“Estive com Peu uma única vez, ocasião em que participava de um show em Salvador de uma querida amiga em comum, a cantora e compositora baiana Márcia Castro. Embora tenhamos nos conhecido e nos encontrado apenas essa única vez, houve uma troca intensa e profunda, daquelas onde o insondável se faz presente e a vida pulsa explicando tudo, sem dizer nada.
Durante a passagem de som, a tarde, Peu apareceu de soslaio, assim, como quem não quer nada.
Meio à paisana, meio prestando muita atenção, veio falar comigo no término da passagem. Ele estava curioso e entusiasmado porque me vira tocar “Rock And Roll” do Led Zeppelin, banda que idolatramos e amamos. Percebendo sua alegria com a música em questão, o convidei para uma ‘canja’ na hora do show – com a devida permissão de nossa animada anfitriã, Marcinha, que logo se demonstrou contente pelo encontro que a vida nos proporcionava.
Pois na hora do show, o menino Peu apareceu empunhando a uma Gibson Les Paul devidamente afiada e, claro, roubou a cena. Fez um solo arrepiante, ficando de joelhos no palco e tocando ‘pra caralho’, botando pra foder e contagiando a todos no palco. Um verdadeiro guitar hero – de alma.

Nessa única vez em que tive a oportunidade de conhecê-lo e vê-lo tocar, saquei que era bicho de palco. Que era aquele artista nítido movido pelo amor, pelo abismo, pela paixão, pela loucura, pelo subjetivo da arte, pela expressão única e o delírio retumbante que apenas um palco nos oferece, convidando e brindando ao transcendental, ao eterno.
Pois foi uma noite única e inesquecível.
Pós-show, no camarim, trocamos milhares de ideias e fizemos planos de realizarmos algo juntos. Mas infelizmente a vida nos levou para outros caminhos. Eu estava com um disco engatilhado e não podia gravar nada naquele momento.
Nos falamos ainda outras vezes pelo telefone e ele me contava dos seus planos de conquistar o mundo e emocionar a todos, como fez comigo.
Enfim, um amigo da vida e da música, para sempre.
Fiquei profundamente abalada quando soube de sua trágica passagem e durante dias, fui tomada por um sentimento estranho, um luto enorme por alguém que conhecia tão pouco, mas que havia me tocado tanto.
Enfim, caminhos da vida, escolhas, histórias, algumas belas, outras tristes.
Rezo sempre por ele, orando por luz e paz. Que ele esteja bem e vibrando aquela energia foderosa que me arrebatou – e a todos naquele show maravilhoso – logo de cara, assim, como quem não queria nada, numa passagem de som, numa tarde, em Salvador.
Peu, meu querido, que um dia nos unamos pela música, pela verdade e por essa paixão incontrolável, inevitável, lírica e poética que temos pela boa música e claro, pelo rock and roll.
Fique com Deus.”

Ana Cañas.

 

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ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº3 // Single
  1. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº3 // Single
  2. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº1 // Single
  3. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº4 // Single
  4. ESTUDO PARA PRIMEIRO ALBUM Nº2 // Single